quarta-feira. 28.09.2022

OPINIÃO | Árvores como pássaros

 

É preciso deixar morrer

Enterrar as mágoas 

Dos ramos que foram e já não são 

Como as coisas e as pessoas

Que já não estão  

E dessa árvore maior

Que depois fica porque cresceu

Perceber que há braços que fugiram dela

Uns que se torceram

Outros que divagaram

Alguns que partiram sem ter estado

Que desapareceram

Que não ficaram por medo

Ou cobardia

De não saber estar

Ou ser capaz

De acompanhar o sentimento da árvore 

Que crescia em direcção ao céu 

Como fazia sentido

As raízes só lá estavam para a alimentar

Para a fazer crescer

Não para a trazer de volta

Nem de regresso à terra

 

Se lhe tivessem dado asas... 

Dançaria agora com os pássaros 

Resgataria deles o céu

Que não é apenas deles

O céu de que se apropriaram

Que julgaram conquistar

Numa ignorância incompreensível

 

Mas agora chegou o momento

É preciso deixar morrer

A árvore seguirá o seu caminho

A árvore que parecia parada 

Afinal anda

Afinal voa

Tem a Arte

Como destino

Fez do efémero

A sua eternidade

 

Cristina Pizarro nasceu em Portugal, Chaves, em 1964 e vive no Porto desde 1982.
Área académica/profissional:
  • 1990: Licenciatura em Ciências Farmacêuticas-Análises Químico-Biológicas, Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto.
  • 1994: Licenciatura em Farmácia de Oficina e Hospitalar, Faculdade de Farmácia, Universidade do Porto.
  • 1999: Pós-graduação em Análises Clínicas, Faculdade de Farmácia, Universidade do Porto.
  • 2003: Título de Especialista em Análises Clínicas, Ordem dos Farmacêuticos.
  • Desde 2002 até à presente data: Responsável técnica do Laboratório de Microbiologia de Águas, no Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, no Porto.
Área literária:
Livros publicados:
  • “Profissão: Palhaço” (2003);
  • “Poesia: Uma fase da vida” (2004) e
  • “Crónicas de Assim dizer” (2021), Portugal.
Antologias de Poesia:
  • Antologia de Poesia Contemporânea “Entre o Sono e o Sonho”, (2021), Lisboa, Portugal
  • “Antologia de Poesia Memorial Enrico Ratti” (2022), Milão, Itália.
Prémios Internacionais de Poesia:
  • 2º Prémio no “Premio Internacional de Poesía Inédita Galáxia”, 1ª Edición 2021, Chile, Sección Poesía inédita lengua extranjera;
  • 1º Prémio no “Premio Internazionale di Poesia Principe Nicolò Boncompagni Ludovisi 2020/2021”, 1ª Edizione, Sezione Poesia inedita straniera, Roma, Itália;
  • 2º Prémio no “Premio Letterario Enrico Ratti, Premio Internazionale di Poesia e Narrativa Inedite”, Prima Edizione 2021/22, Sezione Poesia singola inedita, Mantova, Itália;
  • Menzione di Merito no “Premio Internazionale di Poesia Letteratura ARTEvisuale Isola D’Elba & Ascoltando i Silenzi Del Mare”, 5ª Edizione 2022, Sezione Poesia Inedita a tema libero, Isola D’Elba, Itália.
  • 1º Prémio no Premio Letterario Internazionale “Arte e Poesia Nella Notte” 1ª Edizione 2022, Sezione Poesia in Lingua Straniera, Florença, Itália
  • Seconda classificata no “Premio Poetico e Letterario, da Associazione Culturale Tullius Cicero, 1 Edizione 2022, Viterbo, Itália;
  • Segnalazione di Merito no “Premio Accademico Internazionale di Letteratura Contemporanea Lucius Annaeus Seneca”, VI Edizione 2022, da Accademia delle Arti e delle Scienze Filosofiche, Sezione Esteri: poesia singola a tema libero, Bari, Itália.
Colaboração em Revistas e Jornais:
  • Revista “INSIGHT”, a revista introspectiva do grupo “Arte e poesia nella notte”, Itália;
  • Jornal “La Nuova Mantova”, na página cultural, Itália;
  • Jornal “DiárioDeChaves”, na página Opinião, Portugal.

OPINIÃO | Árvores como pássaros
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