sábado. 02.12.2023

OPINIÃO | Concerto da Orquestra Barroca Casa da Música

O Concerto da Orquestra Barroca Casa da Música no dia 1 de junho de 2020, realizado na sala suggia, teve como programa de sala as seguintes obras: Concerto ‘Alla Portuguesa’, Le Bizzarie Universali, op. 8 n.º 7 de William Corbett; Concerto para cravo e cordas em Sol menor de Guilhermina da Prússia; Fantazia, Three parts upon a ground em Ré maior, Z.731 de Henry Purcell; Concerto para dois oboés em Ré menor, RV 535 de Antonio Vivaldi; Chaconne em Sol maior de John Blow; Sinfonia em Fá maior de Pedro Jorge Avondano.

A Orquestra Barroca Casa da Música formou-se em 2006 com a finalidade de interpretar a música barroca numa perspectiva historicamente informada. Para além do trabalho regular com o seu maestro titular, Laurence Cummings, a orquestra apresentou-se na companhia de diversos maestros e solistas internacionais, assim como, com os agrupamentos The Sixteen, Coro Casa da Música e Coro Infantil Casa da Música.

Os concertos da Orquestra Barroca têm recebido a unânime aclamação da crítica nacional e internacional. Tem tocado regularmente com o cravista de renome internacional Andreas Staier, com quem gravou o disco À Portuguesa. Em 2019, interpretou o Stabat Mater de Pergolesi e fez concertos dedicados à Arte da Fuga de Bach e às Vésperas de Monteverdi. No ano em que completa o seu 15.º aniversário, a Orquestra Barroca apresenta as Oratórias da Páscoa, da Ascensão e de Natal de Bach, onde colabora com as figuras de relevo internacional Andreas Scholl e Pieter Wispelwey.

A Orquestra Barroca Casa da Música editou em CD gravações ao vivo de obras de Avison, D. Scarlatti, Carlos Seixas, Avondano, Vivaldi, Bach, Muffat, Händel e Haydn, sob a direcção de alguns dos mais prestigiados maestros da actualidade internacional.

Neste concerto, a orquestra interpretou as obras de maneira correta, uma vez que, a técnica musical barroca está completamente evidente na performance, com o volume sonoro (entre piano e forte) e os contrastes (contrapontos) de textura necessários. O concerto foi deveras envolvente também evidenciado pelo trabalho de luz.

A apresentação é iniciada com o Concerto ‘Alla Portuguesa’ e revela-se, nos músicos, um total à vontade com a obra. Notou-se o empenho e desejo, por parte da orquestra, de regressar aos palcos depois de um longo período em inatividade. Ao longo da execução desta peça, é escutado um poderoso som de grupo, principalmente nos finais de cada andamento, o que prova que existe uma enorme conexão entre os membros da orquestra. De seguida é tocado o ‘Concerto para cravo e cordas em Sol menor’ de Guilhermina da Prússia, e foi totalmente bem-sucedido. O solista Fernando Miguel Jalôto evidenciou uma clareza graciosa e um virtuosismo técnico fantástico, o acompanhamento da orquestra não se sobrepôs em nenhum momento ao cravo, o que proporcionou uma agradável audição da peça.

A ‘Fantazya’ de Henry Purcell que se seguiu, teve como minha observação principal as mudanças de caráter extremamente percetíveis e que são completamente essenciais para a interpretação se tornar mais interessante e menos monótona. Os violinos apresentam um excelente rigor técnico, que impressiona qualquer ouvinte e intensifica os diferentes caráteres evidenciados no decorrer da performance da ‘Fantazya’. Por vezes, houve intervenções enfáticas demonstrando assim a perceção de fuga, ao estilo da época.

Seguiu-se então o ‘Concerto para dois oboés em Ré menor’ de Vivaldi, que se destacou pela perfeita junção entre os solistas, nas dinâmicas e nas conduções melódicas, acompanhadas de uma incrível energia apresentada pela orquestra. As duas últimas obras são executadas com excelente qualidade, realçando-se o equilíbrio das dinâmicas e a boa condução frásica. Nunca tinha presenciado a Sinfonia em Fá maior de Pedro Jorge Avondano e por isso fiquei deveras impressionado com as variações de caráter que ocorreram durante a peça, demonstrando a forte presença das características do Barroco, tanto na composição, como, obviamente na interpretação de todas estas composições.

Recensão crítica de Filipe Fernandes, trabalho elaborado para a disciplina de Projetos Coletivos e Improvisação, com orientação da Prof. Ângela da Ponte. Turma do 3º A, Curso Profissional de Instrumentista Cordas & Teclas e Sopros e Percussão da Academia de Artes de Chaves.

OPINIÃO | Concerto da Orquestra Barroca Casa da Música