domingo. 05.02.2023

OPINIÃO | MYTHOS & METAS

Como já se deve ter apercebido, caro leitor, não tenho atravessado os meus melhores dias. Segundo parece, «isto é» endémico o que constitui só por si um conforto. Por isso estou a ser acompanhada por um especialista que por vezes me parece ajudar ao deixar-me falar horas seguidas. Ouvindo, interagindo de uma forma que me leva a confrontar-me com a minha realidade sem «ralhar». Acredite, para mim, tem sido benéfico pois ajuda-me a ser objectiva relativamente a certos impulsos e comportamentos de que dantes nem me apercebia… na longa estratégia do que gosto de fazer, vem dançar. Ora com 75 anos as pernas já pesam e o facto de estar fragilizada aumenta os riscos de uma perna partida ou de um braço empenado. Logo o facto de ir dançar ficou completamente fora de questão, a não ser que fosse com o cabo da vassoura em casa.

Mas o Homem põe (neste caso a Mulher) e o Universo dispõe. Uma amiga, frequentadora assídua das tardes da Triunfo, mostrou-me a fotografia da banda que iria actuar e para meu espanto reconheço, pelos olhos azuis, um antigo aluno – O Toy – que tinha tanto de encantador como de cábula. E ficou logo ali decidido que domingo à tarde iria à Triunfo para rever o meu aluno.

Inicialmente, olhei para ele e pareceu-me mais alto mas o sorriso era inconfundível assim como a voz e a entoação; confesso que se passasse por ele na rua não o reconheceria. Obviamente aconteceria o mesmo com ele. Frustradíssima, a minha amiga juntou-nos e muito atenciosamente chegámos à conclusão que entre os velhos tempos de aluno da Secção Preparatória de Português e o presente parecia terem passados séculos. Protocolarmente, cumprimentou-me e cada um foi à sua vida: ele foi cantar e eu fiquei a ouvir. Adoro dançar mas só música africana, caribenha e brasileira e de preferência solta como um passarinho porque agarrada, vejo logo a minha liberdade ameaçada seriamente. Quando a salsa e o merengue começaram lá fui dançar toda feliz recordando os velhos tempos em que parava bailes só para me verem dançar…

Entretanto, o Toy combinado com os outros músicos foi buscar música moçambicana, marrabenta, e dedicou-a «à minha professora de português»… aí apesar das pernas pesarem 38 anos cada uma ainda consegui recordar os passos todos com outra africana como eu e fui feliz, acredite, fui feliz.

Dançar é a expressão máxima da felicidade pois o corpo, mente, espírito e sentimento expressam-se para louvar o planeta.

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